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Porto Alegre, 22 de novembro de 2017.
Notícias Antigas

COLUNISTAS DO CPR
04/02/2010Bruno Ritter
José Augusto Gonçalves - Colunista do CPR
José Augusto Gonçalves - Colunista do CPR

Inaugurando a nova seção do site do CPR, "Colunistas", o "Sócio Internacional" José Augusto Gonçalves contará diversas histórias de rallye e muitas outras, com uma participação quinzenal nesta seção. Acompanhe aí a primeira coluna de nosso mais novo Sócio e Colunista, José Augusto Gonçalves.

 

Desde o início...
José Augusto Gonçalves

                   
Nunca corri em ralis. Meu primeiro contato com ralis aconteceu lá atrás, em 1974, na cidade de Luanda, bela capital de Angola. Meu pai foi convidado para um emprego por lá e, com toda a família, foi viver nesse país fascinante e explosivo (dali a 1 ano começaria, após a independência, a guerra civil).
 
A vida na cidade de Luanda era razoavelmente tranqüila particularmente para a nossa família, porque logo ficamos conhecidos como a “família dos brasileiros”, embora meus pais fossem portugueses. Todos nós éramos vistos de uma forma diferente daquela que boa parte das famílias de uma determinada cor de pele que moravam na cidade eram vistos. Enfim, nós vínhamos de um lugar (Brasil) onde os costumes eram diferentes daqueles praticados por lá. Era complicado para todos nós (seis - Eu, meus pais e meus três irmãos) distinguir as pessoas pela cor da sua pele ou categoria social. Nossos hábitos (e de algumas outras famílias que viviam por lá, uma minoria...) eram completamente diferentes.
 
Eu tinha 12 anos, meus irmãos 14 e 16, minha irmã 18. O que eu conhecia de automobilismo se resumia as performances dos brasileiros na F1. De ralis, sequer tinha noção da existência desse tipo de modalidade esportiva. Até que ao iniciar o mês de março do ano de 1974, as rádios da cidade começaram a falar de um tal rali do BCA e que fulano e sicrano, estrelas dos ralis mundiais, estariam presentes na prova.
 
Confesso que ao ser convidado pelo então namorado (depois e até hoje, marido) de minha irmã para ir assistir ao rali, levei a coisa mais na base da farra, imagina. Pra mim era festa. Pois bem, ficamos em um ponto estratégico de uma estrada secundária que, segundo os que estavam por lá, era o melhor ponto para se ver a passagem dos carros em todo o rali. Quando o primeiro carro se aproximou, fiquei louco com o que vi: O tal fulano era ninguém menos que o saudoso Ove Andersson, em pleno “maximum attack”, com seu Toyota Corolla deslizando magistralmente por uma curva muito extensa e escorregadia, um espetáculo. Logo depois de Andersson, veio o tal sicrano: Sarel van der Merwe, sul-africano,  com seu Datsun que, se não estou enganado, era um 1800 SSS. Depois vieram Antonio Carlos Oliveira (também com Datsun, mais um 240 Z), Larama, Amaral da Silva, com Ford Escort, e outros mais. Isso aconteceu em 27 de março de 1974, nunca mais me esqueci. Acabou dando Antonio Carlos Oliveira, depois que o fulano e o sicrano abandonaram a prova.
 
A partir daí passei a me interessar pelo esporte e, ótima surpresa, não tive a menor dificuldade para poder conhecer mais a respeito. Comprei e decidi então colecionar os dois periódicos sobre automobilismo editados em Luanda: A revista Motor, originalmente editada em Lisboa e “importada” para Luanda, onde era complementada com noticias locais e de outras “colônias”, e o jornal Volante, similar ao editado também nessa época em Lisboa.
 
Logo depois veio o 25 de abril e as coisas gradativamente começaram a se complicar: ficou perigoso ser de uma determinada cor de pele, pois a cidade havia mudado rápida e terrivelmente. Haviam muitas novas caras em circulação e esse número aumentava a medida em que a tensão e os conflitos de origem política, racial e tribal se intensificavam. Então chegou o fim do ano e a cidade atingiu limites insuportáveis de violência, com muitos boatos que geravam instabilidade. E numa noite qualquer daqueles dias de novembro, recebemos uma visita de um grupo de pessoas que diziam ser representantes dos grupos que lutavam pela independência do país e essas pessoas  nos aconselharam a deixar Angola o quanto antes, pois a partir daquele momento não poderiam mais se responsabilizar por nossa segurança. Segundo essas mesmas pessoas, poucas famílias de Luanda mereceram esse tratamento. O exercito português estava impotente diante de tal situação, diante de tudo. Tudo estava fora de controle. Meus pais tomaram a decisão correta e voltamos para o Brasil. Tivemos tempo de sair com calma e levar o que tínhamos.
 
No Brasil, de volta ao Rio de Janeiro, trouxe comigo, lógico, o pequeno acervo que juntei nos meses que se seguiram após a prova e o convite para se retirar do país, com a convicção de continuar com a minha coleção. Aí então começava a minha dificuldade. Nunca imaginei que os ralis fossem tão ignorados no Brasil como (ainda) são. Aqui o negócio é autódromo, infelizmente. Passei a vida freqüentando bancas de jornal e sebos da cidade do Rio de Janeiro à procura de livros e revistas com matérias sobre rali, e escrevendo intermináveis cartas para os mais impensáveis locais do planeta em busca de informações. Foram tempos difíceis, desde a minha chegada de Luanda até meados da década de 90, sem dúvida. Mas, mesmo assim, acabei reunindo um excelente acervo. Confesso que 90 por cento do acervo que formei é constituído de peças estrangeiras.
 
E o homem criou a internet, e o espaço virtual tornou o mundo uma aldeia, aboliu as fronteiras, possibilitou o acesso a informação disponibilizada por qualquer pessoa em qualquer canto desse planeta de forma instantânea e, então, tudo mudou. E muito. A partir da entrada da internet nessa minha historia, o acesso as informações se multiplicou, como também aumentou o número de peças adicionadas a minha coleção, ou melhor, meu acervo.
 
         Em paralelo a formação do acervo também foram (e ainda são) feitas diversas pesquisas, algumas específicas e, claro, aquela pesquisa “mãe de todas”, ponto inicial de minha coleção que é o arquivo de resultados de todas as provas que possuo, tendo como ponto de partida os resultados a partir do ano de 1970. Há muito tempo passei dos 10 mil resultados. Tive acesso a acervos variados de variadas pessoas, instituições e tudo mais que eu pude “garimpar” na internet. E, desde então, desde que eu comecei a acessar todos esses maravilhosos sites e pude consultar todo o acervo disponível, passei a projetar uma coisa semelhante em relação ao meu acervo. Acho que devo disponibilizar tudo isso em um site, na verdade uma imensa base de dados, com toda informação imaginável sobre ralis, desde uma simples fotografia até as mais elaboradas estatísticas, resultados, etc. Venho pensando nessa possibilidade já a algum tempo. Falta grana pra realizar esse sonho.
 
Por falar em sonho, quase esqueço, fui assistir a meu segundo rali somente 35 anos depois, em 2009, quando cumpri uma promessa antiga e fui até Curitiba assistir o Rali de Curitiba (pra mim, o bom e velho Graciosa), que valia - e ainda vale - para o IRC e babei, babei, babei... Valeu pela foto, Paulo Lemos!
 
Também em relação a internet, além do acesso as informações, também fiz muitos novos contatos e, um desses contatos foi justamente com o pessoal do CPR, feito em meados do ano passado e reativado por esses tempos com dois maravilhosos convites, aceitos de imediato, que são a filiação ao clube, como sócio internacional e o convite de ser um colunista no site do clube.
 
Bom, a minha intenção é falar um pouco sobre questões importantes referentes a historia dos ralis em todo o mundo. Não gosto muito de falar do WRC, pois acho que coisas mais interessantes acontecem fora desse campeonato. É meio que uma implicância... Enfim, pretendo contar algumas histórias interessantes nessa coluna e, pra começar, acho que vai ser legal fazermos um apanhado das vitórias do memorável Lancia Rally 037, excetuando-se (comecei com a minha implicância...) as vitórias obtidas no WRC.
 
Por enquanto é isso. Aliás, seria ótimo ouvir algumas opiniões sobre o tema proposto e também palpites sobre temas a desenvolver, não é verdade? Pra quem quiser bater um papo, meu email é: rallymemory@hotmail.com, me escrevam.
 
Um abraço a todos os amigos ralizeiros!
 
Bom, pra terminar, se me permitem, gostaria de fazer uma médiazinha (o famoso jabá) a meu favor: Uma pequena mostra do meu projeto de ralis pode ser visto no blog, http://rallymemory.blogspot.com/ , onde vou contando de forma simplificada a história dos ralis mundiais. Façam uma visitinha e confiram. Sou suspeito, mas acho que tá ficando bem legal.
 
Rally & Rock and Roll!
 

 

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