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Porto Alegre, 20 de novembro de 2017.
Arquivo Histórico

(18.02.1978) O III RALLYE MOBIL-AZALÉIA NA ÍNTEGRA
05/01/2005

III RALLYE MOBIL-AZALÉIA DAS PRAIAS
18 de Fevereiro 1978


A prova, apesar de ser disputada em apenas 100 quilômetros por estradas do interior dos municípios de Tramandaí, Osório e Santo Antônio da Patrulha, teve um roteiro muito bem escolhido pelos organizadores da Equipe Azaléia.
Iniciando com estradas excelentes, largas, até chegar nos últimos 25 quilômetros, à zona de areia, passando os concorrentes inclusive em cima de pequenos cômoros de areia, sempre com médias “salgadas” (a mais baixa da categoria Graduados, foi de 68 km/h).
Este trecho final, foi decisivo para a classificação, acontecendo alguns problemas e atolamentos de duplas até então bem colocadas.
Foi ainda, nessa parte, que a maior potência dos Volkswagen Passat TS, levou vantagem sobre os Fiat 147.
Até o posto de cronometragem N° 13 (de um total de 17) antes da zona de areia o vencedor da prova era o Volkswagen Passat N° 212 de Jorge Fleck/Ronaldo Monteiro (apesar de encontrar uma boiada no roteiro no PC 06) seguido pelo N° 211 de Marcelo Aiquel/Silvio Klein, ambos da Gaúcha Car, com respectivamente 32 e 35 pontos perdidos.
Mas, bem próximo, em terceiro estava o Fiat 147 da Equipe Glitz-Sbofa de N° 294 de Luiz Fernando Moreira/Derly Rodrigues com 46 pp e que haviam zerado dois PC’s (os únicos, pois os demais zeraram apenas um PC no máximo), mas devido a dificuldades na zona de areia caíram para o sétimo lugar com 281 pontos perdidos.



O Fiat 294 de Moreira/Rodrigues “levantando areia” à frente do “muito atrasado” Passat 214 de Nygaard/Reolon

Em quarto lugar neste momento outro Fiat 147 da Equipe Glitz-Sbofa N° 292 de José Graciolli/Silvio Szewkies com 66 pp.
Inclusive Graciolli/Szewkies, logo nos primeiros trechos tiveram a luz vermelha de alerta de superaquecimento acessa, mas decidiram ir até onde o motor parasse. Com este caindo cada vez mais de rendimento, ainda assim mantinham uma das primeiras posições.
Chegando na parte de areia solta onde o motor teria de ser exigido ao máximo, o problema agravou-se mas mesmo atrasando (caindo do 4° lugar para o 9º lugar com 415 pp) continuaram cumprindo o roteiro até o final, nas proximidades do camping de Cidreira.
Ao pararem para assinar a ficha de controle de chegada com o Comissário da Prova Heron De Lorenzi, o motor fundiu por completo.
Havia se partido a mangueira do radiador e perderam toda a água do mesmo.


O Fiat 292 de Graciolli/Szewkies com problemas de refrigeração no “trecho do deserto”

Cumprindo atuação das mais destacadas neste “areal” a dupla Aiquel/Klein teve extraordinária recuperação (chegando inclusive a passar adiantado quando todos atrasavam), o que os levou ao primeiro lugar no final com 75 pp, tendo Marcelo Aiquel recebido a Taça Garça ofertada pela Sociedade Amigos de Tramandaí –S.A.T, ao piloto mais destacado na Categoria Graduados.

Outro que passou trabalho na zona de areia, foi o Volkswagen Brasília N° 210 da Equipe Mipem de João Carlos Fleck/Paulo Caldas Milano.
Seguramente ocupavam as primeiras posições, sendo inclusive a dupla que teve o menor N-1, mas ao faltarem poucos quilômetros para o final da prova, perto do PC 16, erraram o roteiro, saíram da estrada, com a parte dianteira pendurada em um barranco. Até colocarem o macaco e conseguirem trazer de volta o carro para a estrada, passou-se muito tempo e terminaram em 11° lugar.

A dupla Campeã Brasileira de 1977 Christiano Nygaard/Neri Reolon com o Volkswagen Passat N° 214 da Equipe Gaúcha Car, não foi feliz na prova inaugural do Campeonato Gaúcho, pois tiveram um erro de roteiro logo no inicío, um pouco antes do PC 04, motivando-lhes um atraso de 5 minutos, que foi impossível de ser recuperado.
O outro carro da Equipe o N° 213 de Ernesto Farina/Carlos Alberto Farina ficou classificado em quarto lugar, tendo entrado atrasado na parte de areia e também não conseguido recuperar a diferença naquele difícil trecho do roteiro.
 


O Passat 213 dos primos Farina tentando recuperar o “atraso” de um minuto na zona de areia.

Com um Volkswagen Sedan ano 1973 da Equipe Uniplex, preparado pelo próprio piloto o N° 252 de Gilberto Hoff/Luiz Afonso Frantz era apontado como candidato a vitória, e de fato sua atuação foi muito boa. Apesar de encontrar uma boiada na estrada (por ser o primeiro a largar) que os atrasou um pouco no PC 06, perdendo 20 centésimos, até a parte da areia, tudo normal, mas ali se atrasaram em alguns PC’s.
E no final, a poucos metros da chegada por pouco não ficam na estrada. Gilberto Hoff vinha “dando tudo” no VW, recuperando, quando três desníveis acentuados fizeram o carro voar. No primeiro levantou e bateu “de bico”, entortando pára-choques, guarda-lama e capô; deu novo vôo e só no terceiro “cocuruto” dominou o carro.
Felizmente à parte da suspensão não apresentou danos, permitindo sua chegada e a terceira colocação com 101 pp.


O VW 252 de Hoff/Frantz antes de iniciar o “vôo” nos “cocurutos”.

Azar incrível teve a dupla do Volkswagen Brasília N° 277 de Édimo Santini/Rogério Pfeifer. Logo nos primeiros trechos, quebrou o platinado. Descoberto e sanado o problema seguiram na prova. Pouco depois, partiu-se o cabo do acelerador, inicialmente substituído por um fio, mas este logo esticou, sendo substituído por arame.Voltando ao Rallye, tiveram problema de superaquecimento, o que fazia o motor apagar seguidamente, tendo que esperar o resfriamento. Apesar de tudo, completaram a prova em 13° lugar.

FALAM OS VENCEDORES:

Ao receber os prêmios após o resultado da prova a dupla Campeã Gaúcha de 1977 pela Equipe Gaúcha Car, e vencedora do Rallye da Praia disse:
Piloto Marcelo Aiquel:
“Considerando os 100 quilômetros estabelecidos pela nova regulamentação (visando à economia de combustível pelo governo) posso dizer que foi uma prova muito boa. No final do roteiro foi um Rallye só para piloto. Os organizadores tiveram muita sorte em escolher estradas excelentes, sem movimento, com muita areia, curvas e, além disso, ligeiras e seguras”.
“A vitória foi excelente e a gente iniciou o ano bem para tentar o bi-campeonato (N.R: conseguiram seu objetivo ao final do campeonato...). A única dificuldade que enfrentei durante o Rallye foi com a segunda marcha. Em determinado momento ela não engatava e escapava. Assim, eu era obrigado a correr trechos com a mão direita presa ao câmbio e outra a direção”.


Para o navegador Silvio Klein:
“O Rallye foi tecnicamente muito bom; as medições estiveram constantes, o livro de bordo muito claro e fácil de ser entendido. As médias também estavam, excelentes e só no final foi difícil mantê-las. Na verdade, o final foi seletivo, ou seja, o Rallye foi crescendo em dificuldades e quem conseguisse ultrapassar as dificuldades estava no páreo”.


O Passat 211 de Aiquel/Klein na ótima passagem na zona de areia no final da prova.

NOVATOS

Visando propiciar a renovação de valores do Rallye, nesta temporada de 1978 volta a categoria Novatos (não disputada em 1977 por economia de combustível).
Com o Fiat 147 N° 16 estavam inscritos Paulo Oscar Adams/Pedro Adams Jr., da Equipe Shop Shop. Ocorre que os irmãos Paulo Adams e Pedro Adams, da Equipe Azaléia, iniciaram a competir juntos, há muitos anos atrás em provas de Rallye. E agora, é praticamente uma repetição com dois jovens da família Adams estreando nesse tipo de competição.
Todos os participantes da categoria Novatos realizaram uma perfeita estréia na abertura do campeonato gaúcho de rallye.
Não faltaram, logicamente, lances pitorescos aos quais se defrontaram as 14 duplas, sendo muitas delas com navegadores que nunca tinham manipulado um “Twin-master” - aparelho de medição.

O fato marcante da categoria Novatos, no já citado trecho do areal foi proporcionado pela dupla do Volkswagen Brasília N° 07 de Luiz Ghiggi/Ricardo Stahlberg da Equipe Damo–Rossetto de Passo Fundo. Passaram no areal, “julgaram que erraram” o roteiro, voltaram pelo areal, “constataram o engano” (isto é, estavam certos no roteiro inicial) e novamente passaram pelo areal.
Isto chegou inclusive a criar pequena confusão no cronometrista, surpreso em ver tantas vezes diante de si o carro de N° 17...
Mas a história não terminou ai! No trecho de descolamento de Cidreira a Tramandaí já próximos a cidade, perderam-se em uma curva da Interpraias, saindo da estrada e parando quase em meio a caixa d’água existente no local.

Para os vencedores da categoria Novatos com o Volkswagen Brasília N° 65 da Equipe Ortopé-Casa Nova, Marcos Schwan/Aury Klein a vitória foi significativa.
“Acho que com essa vitória podemos ganhar confiança dos nossos patrocinadores” afirmou Marcos Schwan, seguro de que a Ortopé irá lhes dar um apoio nesta temporada.
“Até a segunda etapa do Campeonato queremos formar uma boa equipe. É quase certo que o patrocinador vai nos apoiar e se tudo der certo, vamos correr com dois Fiat 147 no dia 08 de abril” (Rallye Gaúcha Car – Locarauto), garantiu o piloto Marcos Schwan.
A idéia de correr em Rallye para a dupla vencedora ocorreu à três anos quando recebeu um convite de um amigo. Schwan explica:
“Na primeira prova ficamos em 11° lugar. Depois fomos nos aperfeiçoando até conquistar um segundo e dois terceiros em provas passadas”.
Sérgio Kehl/Alceu Mosmann é a outra dupla que formará a equipe.
Nesta primeira etapa ficaram em último lugar, com o Volkswagen Brasília N° 66, devido a problemas mecânicos - condensador - mas por outro lado Alceu Mosmann foi escolhido o navegador destaque e recebeu a Taça Garça da S.A.T.



No retorno da Categoria Novatos a vitória ficou para a Brasília 65 de Marcos Schwan/Aury Klein

N.R- O piloto Marcos Schwan viria a ser três vezes Campeão Gaúcho em 1990,1992, 1993 e quatro vezes Campeão Brasileiro de Rallye Regularidade nos anos de 1993, 1994, 1996, 1998.

O navegador Aury Klein viria a ser três vezes Campeão Gaúcho de Rallye de Regularidade nos anos de 1995, 1998, 2001.

OS ORGANIZADORES

A organização da prova esteve sob a responsabilidade da Equipe Azaléia. Em vista da reduzida quilometragem que as provas de Rallye terão no corrente ano, tiveram seu trabalho dificultado na escolha do roteiro. Mas assim mesmo garantiram na semana da prova, que pilotos e navegadores teriam imenso trabalho.
Percorrendo estradas onde a areia era uma constante, com postos de cronometragem mais próximos uns dos outros, as duplas encontraram como novidade, a ausência de neutralizado para o almoço, tempo em que era aproveitado para qualquer correção de navegação. Em vista disso, qualquer erro de cálculo ou fator, acabou sendo fatal nas pretensões de vitória.
Como na região da prova já aconteceram muitos Rallyes, a maioria das estradas já tinham sido percorridas, mas os últimos 25 quilômetros eram inéditos e decidiram a classificação final.
Todos os participantes, unanimemente, elogiaram a organização que a Equipe Azaléia deu ao Rallye, com estradas e médias adequadas.
Muitos comentaram ao final da prova, que: “A coisa começou mansa, foi apertando, apertando e terminou exigente ao extremo, não nos dando tempo para nada, nem ao menos fumar um cigarro. Foi uma prova em apenas 100 quilômetros com tudo que as de 200 e 300 apresentam”.
Dos 28 carros que iniciaram a prova, às nove horas da manhã de sábado, apenas três não passaram no último PC, fato que demonstrara o bom nível técnico da prova.
Merecem então cumprimentos Yvonoff Oliveira, Pedro Adams, Paulo Adams, Gilberto Schury, Paulo Veeck, Luiz Milano, Ernani Dietrich e Jorge Ullmann.


Um público muito bom em frente a S.A.T para assistir a largada promocional na sexta feira á noite em Tramandaí do III RALLYE MOBIL–AZALÉIA DAS PRAIAS

Pesquisa e edição: Renato Pastro
pastro@terra.com.br

Fontes: Folha da Tarde e Jornal do Comércio

 

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