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Porto Alegre, 22 de novembro de 2017.
Arquivo Histórico

(16.11.2005) COMO SURGIU O CPR E O RALLYE NO RS (1)
06/01/2005

1º CAPÍTULO

I RALLYE INTERNACIONAL MONTEVIDÉO/PORTO ALEGRE/MONTEVIDÉO
“CUENCA DE LA LAGUNA MERIN”

OS BASTIDORES


Uma prova que despertou o interesse, tanto na capital uruguaia (em estado de sitio devido ao terrorismo tupamaro) como junto às autoridades diplomáticas no Brasil (na época da ditadura militar).
O motivo desse interesse ficava claro nas palavras do Diretor do Rallye Miguel V. Martínez Mieres:
“Esta prova é de grande importância não só esportiva, mas também para acelerar a integração do Uruguai e do Brasil nas questões da Lagoa Mirim.”
Havia à época uma discussão sobre os marcos para registro dos limites de fronteira Uruguai - Brasil na Lagoa Mirim.
A prova automobilística era chamada popularmente no Uruguai de “Cuenca de La Laguna Merin” (Bacia da Lagoa Mirim).
Foi disputada no período de 23 a 26 de Setembro de 1969 em uma distância de 1.800 quilômetros.
A prova foi organizada pelo Club Uruguayo de Rallye e pela Asociación Uruguaya de Volantes com o patrocínio do Ministério dos Transportes e Comunicações e Turismo do Uruguai, Montecarlo TV Canal 4,
CX 18 Radio Sport e os jornais La Mañana e El Diário.
No lado brasileiro a supervisão foi da Federação Gaúcha de Automobilismo- F.G.A, com o apoio da Secretaria de Turismo do Estado do RS - Setur.
O Diretor da Setur Valter Seabra e o Presidente da F.G.A José Carlos Steiner mantiveram contatos com a Alfândega, coordenando os detalhes relativos à documentação dos carros participantes do Rallye, para a passagem na fronteira.
O presidente da F.G.A esteve também no Estado da Guanabara solicitando ao Automóvel Clube do Brasil - A.C.B, autorização para a participação de “volantes” brasileiros no Rallye.

A PARTE TÉCNICA

O Rallye Internacional Montevideo - Porto Alegre - Montevideo teve duas características.
Até a fronteira Rio Branco/Jaguarão em território uruguaio a média de velocidade oscilou entre 110 e 120 quilômetros por hora se constituindo em uma prova de velocidade.
No lado brasileiro, os carros foram em “caravana”, obedecendo aos limites do Código Nacional de Trânsito (até 80 quilômetros horários).
Com isto, a competição ofereceu dois aspectos aos concorrentes. O esportivo e o turístico, já que da fronteira até Porto Alegre (e no retorno) mantiveram um “train” de viagem.
Participaram carros uruguaios, argentinos e brasileiros se constituindo eu uma autêntica competição de confraternização entre os três paises vizinhos.
O percurso de “ida”: Montevideo, Pando, Minas, Treinta y Três, Melo, Rio Branco, Jaguarão, Pelotas, Camaquã, Guaíba, Porto Alegre.
O percurso de “volta”: Porto Alegre, Guaíba, Camaquã, Pelotas, Taim, Santa Vitória do Palmar, Chuy, Velazquez, Rocha, San Carlos, Pando, Montevideo.



A LARGADA

Os 48 carros competidores estavam divididos em duas categorias: “B” até 1300cc e “C” acima de 1301 cc. Havia 25 competidores do Uruguai , 12 da Argentina e 11 do Brasil (8 na “B” e 3 na “C”).
Antes da largada, às máquinas permaneceram em parque “cerrado”, onde podiam ser apreciados os equipamentos das mesmas. Em geral, as tripulações não deixaram nada “ao azar”, desde a iluminação interior para o navegador ler a noite o livro de “ruta”, máquinas de cálculo, “extinguidores” de incêndio, caixas de ferramentas, “refrescos”, abrigos e tudo o que eles puderam imaginar ser de utilidade nos 1.800 quilômetros a serem percorridos.
A largada simbólica foi dada à noite do dia 23 de setembro. Com a presença de grande multidão a rampa montada na esquina das avenidas 18 de Julio e Eduardo Acevedo em frente à Embaixada Brasileira foi tomada pelos veículos concorrentes que partiram em intervalos de 30 segundos.
“A ordem de partida” foi dada por Walter Espiga - Diretor Geral do Ministério dos Transportes e Comunicações e Turismo do Uruguai e por Guido Fernando Silva Soares - Secretário da Embaixada do Brasil no Uruguai.


“Febril actividad” aconteceu à noite junto à rampa de largada. O sistema de “Parque Cerrado” causou curiosidade a milhares de aficionados.


A dupla argentina Mario Tato/Alfredo Castellano – IKA Torino N° 371 - Classe “C”. Por sua maior potência seria o primeiro a largar no sábado.


Outra dupla argentina Nestor Ayllón/Carlos Muniz – Auto Union N° 272 - Classe “B”
 


Uruguaios Roberto Larghero/Guzmán Conserva – Volkswagen Sedan N° 211 – Classe “B”

“LOS BRASILEÑOS PROTAGONISTAS Y SUS MÁQUINAS”

Categoria “B” até 1300 cc
N° 280 Julio César Dreyer Pacheco/João A. Schilling -Volkswagen Sedan
N° 282 Alexandrino de Sales/Olmes Marques - Volkswagen Sedan
N° 283 Tulio Pinaud/Ana Cristina Sales - Volkswagen Sedan
N° 287 Virgilio Vescobi/Adalberto Valentini - Volkswagen Sedan
N° 288 Luis C. Duarte/Luiz Fernando Paradeda - DKW Vemag
N° 290 Jaime Henrique Raymondi/Ricardo Troim - DKW Vemag
N° 292 Jan J. Hendrik Balder/(N.R.-não temos a informação do navegador e do carro usado)
N° 293 Ronaldo Froes Monteiro/Roberto Jacobi - Ford Corcel

Categoria “C” acima de 1301 cc
N° 381 Manuel Paulo da Costa Cerveira/Antonio Wiliam Cidrão Guedes – Ford 1955
N° 383 Walter Bercht/Ernesto Bercht -Volkswagen Sedan
N° 399 Adolfo Erwin Gerhard Goldberg/Francisco Ricardo Roemmler - Simca

A “deserção” de seis “máquinas brasileñas” por “inconvenientes” de último momento foi destacada pelos jornais uruguaios.
Não compareceram para a largada simbólica os carros:
N° 388 Walter Cunha Caldas/Marco A. Pinheiro
N° 298 Omar Schilling/Werner Bonling
N° 281 Frank Woodhead/Werner Siegmann
N° 299 João da Silva/Rogelio da Silva
N° 291 Henrique Iwers/Werner Spenner
N° 295 Soel W. de Oliveira/Élson W. de Oliveira

Uma das duplas representantes do Brasil integrada por Julio César Dreyer Pacheco/João A. Schilling foi entrevistada pelo jornal antes da largada simbólica.
Com os rostos algo cansados mostrando a noite mal dormida já que vieram rodando desde Porto Alegre, foram perguntados sobre as condições do roteiro:
“Entramos no Uruguai pelo Chuy este trecho é realmente muito difícil conforme previsões dos organizadores. Se chegar a chover será extremamente difícil para os pilotos”. Este foi o comentário de Dreyer Pacheco que trabalha na televisão riograndense.
Também declarou que escolheram esta prova para participar por diversas razões sendo algumas de peso:
“As facilidades que são dadas aos competidores são fantásticas. Não só o roteiro de estradas, mas também a ótima“ nafta” e os prêmios. Esta é a primeira vez que venho ao Uruguai e não via a hora de fazê-lo. Graças ao primeiro Rallye Internacional tenho esta oportunidade.”
Sobre os planos da dupla disse:
“Viemos sem nenhuma pretensão, nos contentamos em poder terminar em Montevideo os 1.800 quilômetros que serão percorridos”.


Os gaúchos Ronaldo Froes Monteiro/Roberto Jacobi – Ford Corcel N° 293 – Classe “B”
 


A dupla brasileira Virgilio Vescobi/Adalberto Valentini –Volkswagen Sedan N° 287 – Classe “B”

PRIMEIRA ETAPA MONTEVIDEO/PORTO ALEGRE

Exatamente as 07:00 horas, tal como estava previsto, partiu do parque “cerrado” de Carrasco a dupla argentina Mario Tato/Alfredo Castellano - IKA Torino N° 371 pondo em marcha o Rallye Internacional para percorrer os 900 quilômetros da primeira etapa.
O primeiro objetivo dos competidores era manter o “ordenamento” pelo caminho, tratando de manter as posições com verdadeira regularidade. Aconteceram variações nas posições em virtude de que alguns imprimiram “marchas” demasiadamente altas. Mas a chegada ao primeiro Controle em Minas os “apurados” haviam-se “aquietado”, interpretando fielmente o regulamento.
Na cidade serrana haviam 32 carros igualados no primeiro lugar passando, portanto na hora certa no posto de controle.
Os primeiros problemas já aconteciam para as duplas uruguaias Dante Sanchez/Arnold Piovar - Simca N° 337 que perderam a roda traseira esquerda nas imediações de Pando e Alejandro Zaglio/Rodolfo Guerra - Citroen 2 CV N° 117 que atrasaram por falhas mecânicas.


A dupla argentina Horacio Bertrand/Horacio Bertrand Filho - Fiat 1500 Coupe N° 376- Classe “C” na passagem antes do Controle de Minas

A chuva intensa que começou as cair no caminho não modificou o escalonamento regular e ordenado dos carros quando se aproximaram do Controle de Treinta y Treis mais de 30 duplas seguiam conservando sua posição mostrando perfeita coordenação de cálculos.


Os uruguaios René Gallo/Miguel Arca – BMW 2002 S Alpina N° 345 – Classe “C”

Quando haviam sido percorridos 384 quilômetros a chegada ao Controle em Melo assistiu as primeiras mudanças.
Neste momento as duplas uruguaias Carlos M. Pérez Marexiano/Jacques Bourgedis – BMW 2002 N° 333 e Luis J. Etchegoyhen/Mauricio Crosa - Alfa Romeo Giulietta Berlina N° 329 estavam em aberta e efetiva disputa com os argentinos Tato/Castellano e os brasileiros Walter Bercht/Ernesto Bercht - Volkswagen Sedan N° 383 e Ronaldo F. Monteiro/Roberto Jacobi - Ford Corcel N° 293 ( primeiro da Categoria “B”).
Os cinco eram quem mantinham, todavia a absoluta regularidade de sua “marcha”, cuidando todos os detalhes e lutando contra uma “ruta” que se tornava intransitável minuto a minuto.
O número de carros que se mantinham “ilesos” e lutavam para não perder contato com as primeiras posições haviam diminuído para 21, aproveitando ainda o privilégio de não ter pontos perdidos.
Prontos para entrar na zona dos cinco primeiros estava há 47 segundos a dupla brasileira Julio César Dreyer Pacheco/João A. Schiling - Volkswagen Sedan N° 280, a 1minuto e 27 segundos outra dupla brasileira Adolfo Erwin Gerhard Goldberg/Francisco Ricardo Roemmler - Simca N° 399.


El Simca brasileño N° 399 conducido por Adolfo Erwin Goldberg y Francisco Roemmler (pareja gaúcha) fue uno de los que mejor trabajó para sobreponerse a los problemas creados por las intensas lluvias, en la etapa inicial.
Em la foto, aparece acercándose al puesto de Rio Branco, transitando sobre el barro.


A chegada ao Controle de Rio Branco onde aconteceu o previsto neutralizado de duas horas, promoveu algumas modificações nas posições mais avançadas devido às más condições do piso que exigiu a máxima cautela dos pilotos. É de se destacar que várias “máquinas” foram chegando com sensíveis mostras da dureza da etapa, acrescentado pelo inconveniente da chuva, sendo possível ver vários carros sem pára-brisa, faróis quebrados, lataria amassada.
Classificação até o momento:
1) Pérez Marexiano/Bourgedis
2) Etchegoyhen/Crosa - com 6 segundos de atraso para o líder
3) Oscar Rodriguez/Sérgio Furrer – BMW 2002 N° 309 (Uruguai)
4) Tato/ Castellano
5) Walter Bercht/Ernesto Bercht - Volkswagen Sedan N° 383 (Brasil)
6) Gerardo Ernst/Oscar Daniel Camy - FT 1500 N° 322 (Uruguai)

Os uruguaios Oscar Rodriguez/Sergio Furrer - BMW 2002 N° 309 - Classe “C” em terceiro lugar no Controle de Rio Branco

Diante da chuva torrencial que caía durante o neutralizado, enquanto os competidores aguardavam para cruzar a fronteira com o Brasil, encerrando a parte uruguaia da primeira etapa, o Diretor do Rallye Miguel V. Martínez Mieres modificou a seqüência do próximo trecho.
Como o próximo trecho de N° 6 era de média livre entre Jaguarão e Pedro Osório, em uma distancia de 30 quilômetros, e haveriam 7 pontilhões para transpor “sumamente peligrosos” o Diretor do Rallye tornou o trecho neutralizado.
O Comissário Desportivo da Asociación Uruguaya de Volantes - A.U.V, Alejandro Silva declarou:
“Este é realmente um verdadeiro Gran Premio de Carretera e demonstra uma vez mais que o principio deve ser este. Na prática o roteiro demonstrou que a prova foi muito dura e as médias altas foram muito difíceis de serem cumpridas por causa da chuva. Porém é precisamente este detalhe que demonstrou que os competidores devem fazer um Rallye com cuidados redobrados. E quanto ao neutralizado não nos cabe objeções, não se devem correr riscos desnecessários”.
Já o dirigente da A.U.V Fabián Burgueño se mostrou entusiasmado com as alternativas da prova:
“A chuva nos criou problemas nos aspectos de organização, mas permitiu a oportunidade aos competidores de manifestar suas “habilidades condutivas”. Isto contribui para um êxito inquestionável da “carrera” que está evidenciada como a de maior importância nacional e internacional das que organizamos em “ruta abierta”.

A primeira etapa do Rallye que havia começado as 07:00 horas em Montevideo, terminou aproximadamente as 23:00 em Guaíba tendo a grande maioria dos competidores chegado a Porto Alegre no “palanque oficial” em frente ao Colégio Militar no Parque Farroupilha.
Até o Controle de Capão do Leão (faltando ainda computar os Controles de Camaquã e Guaíba) a classificação geral extra-oficial era:

1) Carlos M. Pérez Marexiano/Jaques Bourgeois - BMW 2002 N° 333 – Uruguai - Penalização: 00’02”
2) Luis J. Etchegoyhen/Mauricio Crosa - Alfa Romeo Giulietta Berlina N° 329 - Uruguai – Pena: 00’09”
3) Guillermo Vacars/Miguel Yasky - Chevrolet N° 373 –Argentina – Penalização: 02’24”

8) Alejandro Better/Juan Meller – SAAB 96 N° 217 – Uruguai - Penalização: 03’36” ( 1° Categoria “B”)

11) Ronaldo Froes Monteiro/Roberto Jacobi – Ford Corcel N° 293 –Brasil - Penalização: 05’10”

13) Julio César Dreyer Pacheco / João A. Schilling - Volkswagen Sedan N° 280 – Brasil – Penalização: 05’22”

23) Adolfo Erwin Gerhard Goldberg/Francisco R. Roemmler – Simca N° 399 - Brasil - Penalização: 07’42”
24) Alexandrino de Sales/Olmes Marques – Volkswagen Sedan N° 282- Brasil - Penalização: 08’44”

27) Túlio Pinaud/Ana Cristina de Sales – Volkswagen Sedan N° 283 - Brasil - Penalização: 10’40”

29) Manuel P. da Costa Cerveira/Antonio Wiliam Cidrão Guedes - Ford N° 381- Brasil - Penalização: 11’05”
30) Walter Bercht/Ernesto Bercht – Volkswagen Sedan N° 383 – Brasil – Penalização: 11’58”

32) Luis C. Duarte/Luiz Fernando Paradeda – DKW Vemag N° 288 – Brasil - Penalização: 12’42”

37) Virgilio Vescobi/Adalberto Valentini – Volkswagen Sedan N° 287 –Brasil - Penalização: 15’14”

42) Jaime Henrique Raymondi/Ricardo Troim –DKW Vemag N° 290 – Brasil – Penalização: 19’47”


A dupla uruguaia Carlos M. Pérez Marexiano/Jacques Bourgedis - BMW 2002 N° 333 - Classe “C”
líder da prova até o Controle de Capão do Leão - RS


O Alfa Romeo Giulietta Berlina N° 329- Classe “C” da dupla uruguaia Luis J. Etchegoyhen/Mauricio Crosa segunda colocada até o Controle de Capão do Leão - RS


A melhor dupla argentina está na terceira posição até o controle de Capão do Leão- RS, é formada por Guillermo Vaccars/Miguel Yasky - Chevrolet N° 373 - Classe “C”

Pesquisa e Edição: Renato Pastro - pastro@terra.com.br
Edição de Imagens: Luciane Goecke
Fontes:
Jornal El Diario (Uruguai)
Jornal La Mañana (Uruguai)
Correio do Povo
O Globo
Arquivo Histórico do CPR

 

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27 de Fevereiro de 2016
42º. Rallye das Praias

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