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Porto Alegre, 20 de novembro de 2017.
Arquivo Histórico

(24/08/1985) O PRIMEIRO RALLYE SUL AMERICANO NO RIO GRANDE DO SUL (PARTE I)
19/01/2006

CAPÍTULO I
Dos preparativos até o final do 1° dia

A História

O Rallye de Velocidade “Tipo FIA” ainda era novo no Brasil. A primeira prova deste tipo foi disputada em 1978 e o primeiro Campeonato Brasileiro em 1981.
No ano de 1985 o CLUBE PORTO ALEGRE DE RALLYE–CPR, no mês de agosto (portanto a exatos 21 anos atrás), organizou pela primeira vez no Rio Grande do Sul uma etapa do Campeonato Sul Americano.

Esta foi, na realidade, a segunda prova de um Sul Americano realizada no Brasil, tendo a primeira, o III RALLYE INTERNACIONAL DO BRASIL, ocorrida no estado de São Paulo na cidade de São José dos Campos, em Maio de 1981.

A prova realizada no Rio Grande do Sul e organizada pelo CLUBE PORTO ALEGRE DE RALLYE–CPR foi denominada RALLYE DO BRASIL MOBIL-FIRESTONE, válida pela segunda etapa do Campeonato Sul Americano e quarta etapa do Brasileiro, sendo disputada em 24 e 25 de Agosto de 1985.
Esta etapa no Brasil, Rio Grande do Sul, era para ser a terceira do Sul Americano, mas como a etapa do Mundial de Rallye na Argentina em Córdoba, 5° RALLYE MARLBORO ARGENTINA (30 Julho a 03 Agosto) não contou pontos para o Sul Americano a etapa brasileira passou para a segunda do campeonato.
A abertura do Campeonato Sul Americano de 1985 foi disputado no Uruguai com o RALLY INTERNACIONAL DEL LAGO, em Punta Del Este, em Fevereiro daquele ano.

Com supervisão da Confederación Deportiva Automovilistica Sudamericana-CODASUR, Confederação Brasileira de Automobilismo–CBA (Presidente Dr. Joaquim Cardoso Melo) e Federação Gaúcha de Automobilismo–FGA (Presidente Adolfo Erwin Gerhard Goldberg), a prova teve o patrocínio da Mobil Oil do Brasil (através de Rui Pires) e da Indústria Pneumática Firestone (através de Ademar Fleck) tendo ainda o apoio do Hotel Serrano de Gramado (onde o evento era centralizado) e da Prefeitura Municipal de Gramado (Prefeito Pedro Henrique Bertolucci).

A Comissão Organizadora do CLUBE PORTO ALEGRE DE RALLYE–CPR era formada pelo Diretor da Prova Marcos Aurélio Schwan (Presidente do CPR) e pelos Diretores Adjuntos Christiano Rodolfo Nygaard, Neri Carlos Reolon e Aldo Américo Pastore Bartel tendo como Secretário José Luiz de La Vega.

O colegiado de Comissários Desportivos era formado pelo uruguaio Roberto Gardiol (CODASUR), pela CBA estavam Heron Pereira De Lorenzi (Presidente da Comissão Nacional de Rallye-CNR), Gastão A. Hausknecht e Arlindo Schunk Filho (Conselho Técnico Desportivo Nacional - CTDN) e pela FGA Ari Valter Duarte Schneider.
Como Comissários Técnicos estavam, pela CBA Gilberto da Motta Guimarães e pela FGA Ubirajara Sperb Cavedon.
Havia ainda um observador: Armando Braga de Moraes Filho da CBA.

A Prova

A prova estava dividida em duas etapas, no sábado a 1° etapa teria um total de 234,200 quilômetros, com aproximadamente 240,000 quilômetros de deslocamentos e enlaces.
Foi disputada na região de Canoas, Portão e São Sebastião do Caí.
A etapa teve três provas de classificação especiais que foram repetidas quatro vezes. As especiais eram:
Olaria (17,455 quilômetros);
Itapuí (22,605 quilômetros) e
Capela (18,490 quilômetros).

A 2° etapa no domingo teve um total de 121,960 quilômetros com aproximadamente 54,000 quilômetros de deslocamentos e enlaces e foi disputada na região de Gramado. A etapa teve duas provas de classificação especiais que foram repetidas quatro vezes.
As especiais eram:
Várzea Grande (15,560 quilômetros) e
Linha Ávila (14,930 quilômetros).

A totalidade da prova era portanto de vinte provas de classificações especiais com 356,160 quilômetros de “velocidade pura” e 294,000 quilômetros de deslocamentos e enlaces.
A estrutura montada pelo CLUBE PORTO ALEGRE DE RALLYE–CPR para efetivar esta prova era composta de:
Duzentos e noventa policias militares, quatro ambulâncias com médicos, um helicóptero Helibras Esquilo da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul (que acompanhou todo o desenvolvimento da competição, pronto a entrar em ação, em qualquer eventualidade), sete veículos com rádios VHF, uma central de rádio e dois computadores instalados no Hotel Serrano e vinte e dois controladores nas provas especiais e nos parques de apoio e fechados.
 


A primeira etapa no sábado com três especiais repetidas quatro vezes.


A segunda etapa no domingo com duas especiais repetidas quatro vezes.

O Diretor da Prova e Presidente do CLUBE PORTO ALEGRE DE RALLYE–CPR, Marcos Aurélio Schwan fez algumas observações sobre a organização da prova:
"Os Rallyes de velocidade não são comuns no Brasil porque os custos são muito altos, exigindo uma grande infra-estrutura técnica.
Há dois meses que a nossa equipe de homens experientes em Rallyes se emprega a fundo na concretização desta prova no Brasil. Um trabalho que começou com um levantamento de “trilhas” e estradas secundárias por toda a região escolhida para a competição.
O levantamento das estradas foi um árduo trabalho e optamos por “primes” (prova de classificação especial) no interior dos municípios de Canoas, Portão, São Sebastião do Cai e Gramado, pela diversidade de pisos e dificuldades que oferecem a pilotos e navegadores. Para se ter uma idéia uma das especiais no interior do município de Portão denominada Olaria (17,455 quilômetros) possui três tipos de piso: terra dura, brita e areia solta. Em resumo: três exigências diversas para o piloto, somadas a alta velocidade com que o trecho será percorrido. Quando me refiro ao alto custo de um Rallye de velocidade incluo também o nível de preparação dos carros que devem ser adaptados às exigências da prova: suspensão reforçada, motor, freios e itens de segurança alem do próprio desgaste do veículo fazem com que muito dinheiro seja investido em uma prova de velocidade.
Acredito também que a realização da etapa em Gramado terá um significado ainda mais importante. Os Comissários Desportivos que estarão observando a prova irão recolher subsídios para apontar a cidade de Gramado como a possível sede de uma das provas válidas pelo Campeonato Mundial. Entre os paises sul americanos apenas a Argentina realiza uma etapa do Mundial. Com a infra-estrutura da cidade e principalmente o apoio da prefeitura devemos trazer esta importante competição para o estado em 1986."

(N.R - devido a problemas de organização na prova do Mundial em 1982 realizada em São Paulo e Rio de Janeiro o Brasil perdeu o direito de organizar uma etapa para a Argentina).

Veículos e Equipes

Os veículos participantes do Campeonato Sul Americano, todos movidos a gasolina, estavam divididos da seguinte maneira:

Grupo A - Classe A: até 1300 cm³
Grupo A - Classe B: de 1301 cm³ até 1600 cm³
Grupo A - Classe C: de 1601 cm³ até 2000 cm³

Pelo Campeonato Brasileiro os veículos, movidos a álcool combustível, eram do Grupo A com cilindrada até 1600 cm³ e pilotos eram divididos entre Graduados e Novatos.

O maior destaque entre as Equipes participantes ficava com a Volkswagen Mobil que estava utilizando pela primeira vez um rádio transmissor e receptor nos quatro carros da Equipe. O objetivo segundo o chefe da equipe Robert Amaral Sharp, será o de melhorar ainda mais a coordenação da equipe durante a prova e nas assistências técnicas além de receber informações mais detalhadas sobre os tempos.

A Equipe Volkswagen Mobil disputou os dois campeonatos. Pelo Sul Americano teve somente uma dupla, os paranaenses Paulo Francisco Blasi Lemos/Arthur Cezar da Veiga Carvalho a bordo do Volkswagen Gol GT 1.8 que defenderia a liderança na Classe B.


Arthur Cezar da Veiga Carvalho e Paulo Francisco Blasi Lemos após decisão conjunta com a Equipe Volkswagen Mobil optaram por participar do Sul Americano, abrindo mão dos pontos no Campeonato Brasileiro.

Eles também lideravam o Campeonato Brasileiro e na fábrica em São Bernardo do Campo na “Ala Zero”, o Volkswagen Gol 1.6 da dupla também estva pronto e preparado. Comentava-se a possibilidade deste carro vago ser conduzido por um piloto de pista, Egidio Micci ou Luiz Otávio de Paternostro,
a exemplo do mineiro Antônio Lúcio da Matta, piloto de pista, que naquele ano corria em estradas de terra ao lado do navegador gaúcho Gilberto da Fonseca Schury, na Equipe Volkswagen Mobil.

Os gaúchos Jorge Raimundo Fleck/Silvio Paulo Klein eram os vice-líderes do Campeonato Brasileiro e considerados pelos colegas da Equipe Volkswagen Mobil como os prováveis vencedores do Rallye, segundo palavras de Arthur Cezar:
“A dupla gaúcha é experiente, possui a mesma estrutura de fábrica que nós e corre sobre o terreno que mais conhecem.”


Jorge Raimundo Fleck e Silvio Paulo Klein - antes da prova - com a possibilidade de serem líderes do Campeonato Brasileiro após o RALLYE DO BRASIL MOBIL- FIRESTONE.


Gilberto da Fonseca Schury, outro gaúcho integrante da Equipe Volkswagen-Mobil.


Completando a Equipe Volkswagen Mobil, o piloto carioca Cláudio Ribeiro de O. Antunes e o navegador paulista Olavo Barbour Filho que ocupavam o quarto lugar no Campeonato Brasileiro.


Parte da delegação uruguaia presente à prova, da esquerda para direita: Ricardo Ivetich, Gustavo Trelles, Luis Etchegoyen, Domingo De Vitta, Horácio Moyano e o Comissário Desportivo da CODASUR, Roberto Gardiol.

Reconhecimento e Treinos

O mau tempo que persistia no Rio Grande do Sul na semana da prova, estava prejudicando os treinamentos dos concorrentes para o RALLYE DO BRASIL MOBIL-FIRESTONE.
As provas especiais de Olaria, Itapuí e Capela estavam com suas condições de tráfego bastante prejudicadas devido às chuvas, inclusive na segunda-feira anterior a prova, a região estava alagada. O mesmo não estava acontecendo com os trechos de Linha Ávila e Várzea Grande próximas a Gramado, localizadas na região serrana de piso encascalhado. Mesmo com o mau tempo, alguns concorrentes já fizeram o reconhecimento do percurso, como o paranaense Paulo Lemos que “fugiu” à sua regra de treinar sempre quatro dias antes de cada prova e está ha oito dias ininterruptos treinando na região.
Outros que já fizeram o reconhecimento foram, o uruguaio Gustavo Trelles e o paulista Cláudio Antunes. Entre os gaúchos o primeiro a efetuar o percurso foi Volnei Ross Cerqueira. A opinião de todos os pilotos era unânime quanto a boa qualidade do piso e as altas velocidades que serão atingidas.

Segundo Gustavo Trelles:
“Os roteiros são muito bons porem o mais importante é que se adaptam bem aos nossos Escorts”.
O Comissário Desportivo da CODASUR Roberto Gardiol observou que:
”O roteiro desta prova será mais veloz do que o de Córdoba deste ano, entretanto mais lento que as provas no Uruguai”.
Ao término de seu levantamento Enrique Mantero do Uruguai comentou:
“Está tudo bastante embarrado. Ainda não pudemos percorrer os primes da segunda etapa. O bom é que este Rallye é mais curto, e fundamentalmente os primes se repetem ao estilo que usamos hoje em dia no Uruguai para baratear o custo”.

O piloto gaúcho Jorge Raimundo Fleck, Campeão Brasileiro de Rallye de Velocidade de 1981, comentou sobre as cinco provas especiais (PC) que serão percorridas quatro vezes:
“A PC de Olaria que tem 17,455 quilômetros, tem três tipos de piso: terra dura no início, depois brita e finalmente areia solta. É um trecho muito rápido, que fica bom quando está úmido. A PC de Itapuí de 22,605 quilômetros também é de alta velocidade, com uma estrada estreita, quase entre barrancos, e uma parte, no final, com algumas freadas fortes. E os 18,490 quilômetros da PC de Capela são os mais rápidos de todo o Rallye, se anda sempre em terceira, quarta e quinta marcha e em quatro pontos nosso Volkswagen Gol 1.6 chega a 7.200 rotações por minuto em quinta a 175 quilômetros por hora. Já na região de Gramado no domingo temos a PC Várzea Grande com 15,160 quilômetros e inicia com um trecho muito veloz de cinco quilômetros, seguido por uma sucessão de curvas rápidas, em estradas estreitas e britadas. E em Linha Ávila a última PC com 14,930 quilômetros tem um piso semelhante e muitos saltos, inclusive um salto duplo - o carro decola, cai no chão e decola novamente. Estes dois trechos de Gramado tem piso mais duro e exigente para os carros que as PCs de sábado, na região de Capela onde o piso é sempre macio e bom.”

AS EMOÇÕES A "100 POR HORA"
Por Cláudio Furtado - Editoria de Esportes do Jornal Zero Hora (em matéria publicada às vésperas da prova).

“Você que me lê agora (falo para os leigos, é claro) não imagina, nem de perto, as emoções que envolvem uma competição de Rallye de velocidade.
Eu, na semana passada, sai da minha especialidade (corridas de pista) para acompanhar um treino da dupla gaúcha Jorge Raimundo Fleck/Silvio Paulo Klein - Gol de fábrica, que vão competir neste fim de semana no Sul americano. Só que acompanhei o mais próximo possível, isto é, dentro do carro de treinos (“mula”) da dupla.
O treino aconteceu nas estradas próximas a Capela, onde será realizado a primeira etapa do Rallye, no sábado. Para se ter uma idéia exata das emoções, é bom afirmar inicialmente que as duplas devem percorrer um determinado trecho de estrada - 15 a 20 quilômetros - no menor tempo possível. Só que este trecho é composto de muitos buracos, barro, lama, poeira, pedras, galhos, sem contar animais que invariavelmente invadem a pista, colocando em risco a integridade física dos participantes e do carro.
O Jorge Fleck mais parecia um robô, atendendo as ordens do navegador Silvio Klein, conhecido na intimidade por "Cachinho":
- Curva dois fechada à esquerda cinco, ponte a vinte metros” e assim por diante.
Isto a 100 quilômetros por hora no mínimo. Eu, sentado no banco de trás, me agarrava em tudo que podia, arregalava ou fechava os olhos antes de cada curva, imaginando o que poderia acontecer se surgisse de repente uma vaca ou mesmo um caminhão. Conclusão da história: Rallye de velocidade é muito mais emocionante do que Fórmula 1 ou Fórmula Indy. Pelo menos, tem que ter muito peito para correr em vôo cego a 100 quilômetros por hora. É até uma boa receita para curar soluço, tal o número de sustos que a gente leva.”


A Competição – 1° Etapa (1° dia)

Às 09:30 do sábado dia 24 de Agosto, foi dada à largada na Praça da Matriz de Gramado para a 1° Etapa do RALLYE DO BRASIL MOBIL-FIRESTONE.
Largaram para a etapa, vinte e seis carros, sendo sete da categoria Novato do Campeonato Brasileiro.
Estavam presentes cinco duplas do Uruguai e duas da Argentina.


O primeiro carro a largar para o RALLYE DO BRASIL MOBIL-FIRESTONE foi do Uruguai, Ford Escort XR-3 de Domingo De Vitta/Horácio Moyano.

Após um deslocamento de 115,350 Km os competidores estavam prontos para iniciar a Prova de Classificação Especial OLARIA 1.

Os vencedores em cada Especial foram:

OLARIA 1:
Gustavo Trelles/Ricardo Ivetich
Ford Escort – Uruguai – 9’54” – 105,79 Km/h de Média

OLARIA 4:
Luiz Etchegoyen/Luis Borrallo
Ford Escort – Uruguai – 9’54” – 105,79 Km/h de Média

OLARIA 7:
Luiz Etchegoyen/Luis Borrallo
Ford Escort – Uruguai – 10’14” – 102,34 Km/h de Média

OLARIA 10: Houve um empate
Paulo Lemos/Arthur Cezar
Volkswagen Gol 1.8- Brasil
Gustavo Trelles/Ricardo Ivetich
Ford Escort – Uruguai - Ambos com 10’21” – 101,19 Km/h de Média

ITAPUÍ 2:
Gustavo Trelles/Ricardo Ivetich
Ford Escort – Uruguai – 14’03” – 96,53 Km/h de Média

ITAPUÍ 5:
Luiz Etchegoyen/Luis Borrallo
Ford Escort – Uruguai – 14’06” – 96,19 Km/h de Média

ITAPUÍ 8:
Paulo Lemos/Arthur Cezar
Volkswagen Gol 1.8 – Brasil – 14’27” – 93,86 Km/h de Média

ITAPUÍ 11:
Paulo Lemos/Arthur Cezar
Volkswagen Gol 1.8 – Brasil – 14’35” – 93,00 Km/h de Média

CAPELA 3:
Gustavo Trelles/Ricardo Ivetich
Ford Escort – Uruguai -10’28” – 105,99 Km/h de Média

CAPELA 6:
Gustavo Trelles/Ricardo Ivetich
Ford Escort – Uruguai – 10’30” – 105,66 Km/h de Média

CAPELA 9:
Paulo Lemos/Arthur Cezar
Volkswagen Gol 1.8 – Brasil – 10’36” – 104,66 Km/h de Média

CAPELA12:
Paulo Lemos/Arthur Cezar
Volkswagen Gol 1.8 – Brasil – 10’42”– 103,68 Km/h de Média

Em relação aos participantes do Campeonato Brasileiro a dupla gaúcha Jorge Fleck/Silvio Klein venceu oito especiais, Arno Hess/Horst Richter, do Rio de Janeiro, três e o mineiro Antônio Da Matta com o navegador gaúcho Gilberto Schury uma especial.


Arno Hess/Horst Richter fizeram os melhores tempos entre os competidores do Campeonato brasileiro nas PC ITAPUÍ 5, OLARIA 10 e ITAPUÍ 11.


Antônio Da Matta/Gilberto Schury ganharam pelo Campeonato Brasileiro a última especial da etapa de sábado a PC CAPELA 12 com média de 100,85 Km/h.

Ao final da primeira etapa vinte e seis carros que largaram somente dezoito ainda continuavam na prova.
Uma das desistências mais importantes foi da dupla uruguaia Domingo De Vitta (vencedor do primeiro Rallye Sul Americano realizado no Brasil em 1981) e Horácio Moyano com um Ford Escort XR-3 N° 71 da Equipe Castrol–Monroe que teve logo na PC 4, quebrado o estabilizador afetando a junta homocinética.

Outro importante abandono foi da dupla Cláudio Ribeiro de O. Antunes/Olavo Barbour Filho – Volkswagen Gol 1.6 N° 3 da Equipe Volkswagen Mobil que teve um superaquecimento do motor.

Não completaram nem a PC 1 os seguintes carros:
N° 20 – Enrique Oribe/Adolfo Decheccchi – Subaru Leone 1300 – Argentina;


O abandono prematuro do "gentleman driver" argentino Enrique Oribe e seu navegador Adolfo Dechecchi os fez perder a liderança do Sul Americano na Classe A.

N° 413 – Osvaldo Lambert/Carlos H. Lambert – Volkswagen Gol 1.6 – Equipe Molas Hoesch, dupla de São Paulo da Categoria Novato.

Ao final da PC 5 a dupla paulista José Manuel G. Torres/Gerson Gomes Bonfim Filho – Chevrolet Chevette Sedan 1.6 N° 437 da Equipe Alcoa, teve de abandonar devido ao excesso de penalização por atraso provocado pela perda dos parafusos do suporte do motor e conseqüente deslocamento do mesmo.

Na PC 10 tivemos o abandono do gaúcho Volnei Ross Cerqueira que faz dupla com o catarinense Milton Conceição em um Volkswagen Gol 1.6 N° 222 da Equipe Mobil–Roda Box que teve quebrado a junta homocinética.


Uma junta homocinética quebrada forçou o abandono de Volnei Ross Cerqueira/Milton Conceição na PC 10.

O abandono mais curioso aconteceu pouco antes da largada em Gramado quando Oswaldo Scheer Filho e Maria Isabel Scheer tiveram o motor do seu Chevrolet Chevette Sedan 1.6 N° 26 da Equipe Hoepcke Veículos, fundido devido a superaquecimento. Este fato ocorreu pela montagem invertida da válvula termostática.
Aliás, o carro N° 711, também, um Chevrolet Chevette, abandonou pelo mesmo problema. Inclusive não chegando ao final da PC 1. Era o carro da dupla do Paraná Marco Francesco Gianatti/Antônio Alves Bastos Filho da Equipe Motoral.

Com um deslocamento de 134,480 Km os competidores voltaram a Gramado para o Parque Fechado no Hotel Serrano.
Durante este longo deslocamento um fato extra prova acabaria gerando alguns problemas.
Cada concorrente tinha um tempo limite para apresentar-se no Parque Fechado.


Apoio mecânico dos Escort da Equipe ANCAP sob a supervisão do Campeão Sul Americano de 1980 Federico West (de pé à esquerda).
Segundo West: "ele não pode participar da etapa devido a seu Ford Escort terminar "demolido" na prova do Mundial da Argentina onde obteve um nono lugar na geral e segundo no grupo A classe 6.


Os uruguaios Luiz Etchegoyen/Luiz Borrallo tiveram trocado muitas peças de seu Ford Escort, partindo em alta velocidade rumo a Gramado, sendo flagrado pela Polícia Rodoviária Estadual cometendo infrações, obrigando a dupla a parar e dar explicações.
Isto determinou a que chegassem além do tempo limite ao Parque Fechado, pelo Regulamento já desclassificados, apesar de serem os vencedores da primeira etapa do Rallye.
Inclusive pela manhã antes do início da prova, Christiano Nygaard, em nome dos organizadores, em reunião no Hotel Serrano, alertava para o fato dos concorrentes evitarem este tipo de infração, justamente por serem passíveis de punição.
O assunto, de imediato, foi levado ao conhecimento dos Comissários Desportivos que por quatro votos a um, decidiram prorrogar o horário de chegada ao Parque Fechado, reintegrando assim a dupla do Uruguai.
A alegação dos Comissários expressa no Adendo N°02 era:
“Tendo em vista atitude ilegal (sic) e arbitrária de um policial rodoviário, retendo um competidor, além do tempo necessário para a aplicação de uma eventual multa cometida pelo mesmo, os Comissários Desportivos resolveram dilatar o controle horário de chegada ao parque fechado para as 20:00 horas”.
Tal decisão causou generalizadas discussões, até sugestão dos brasileiros não largarem no dia seguinte, foi apresentada.


Apesar de vencer cinco PCs, Gustavo Trelles/Ricardo Ivetich tiveram problemas na última PC, CAPELA 12 com um entupimento do cano de alimentação de combustível e terminaram a 1°Etapa do Rallye em terceiro lugar.

Classificação da 1° Etapa

1° Lugar:
Luiz Etchgoyen/Luiz Borrallo – Ford Escort – Uruguai – 2h21’01”

2° Lugar
Paulo Lemos/Arthur Cezar – Volkswagen Gol 1.8 – Brasil – 2h24’00”

3° Lugar
Gustavo Trelles/Ricardo Ivetich – Ford Escort – Uruguai – 2h25’20”

4° Lugar
Jorge Fleck/Silvio Klein - Volkswagen Gol 1.6 - Brasil – 2h26’28”

5° Lugar
Antônio Da Matta/Gilberto Schury – Volkswagen Gol 1.6 – Brasil – 2h27’29”

Em 11° lugar tínhamos a dupla gaúcha Jorge Ullmann/Carlos Weck com Volkswagen Gol 1.6 e tempo total de prova de 2h50’19”.


Ao término da primeira etapa o líder na Classe A do Sul Americano é o Daihatsu Charade 1300, dos uruguaios Jorge Mancilla/Alfredo Cabrera.

No Campeonato Brasileiro, esta foi a classificação na Graduado:

1° Lugar
Jorge Fleck/Silvio Klein – Volkswagen Gol 1.6 – 2h26’28”

2° Lugar
Antônio Da Matta/Gilberto Schury – Volkswagen Gol 1.6 – 2h27’29”

3° Lugar
Arno Hess/Horst Richter – Volkswagen Gol 1.6 – 2h28’14”


4° Lugar
Aparecido Rodrigues/Ricardo Costa – Volkswagen Gol 1.6 – 2h30’27”


5° Lugar
Luiz Evandro Campos/Francisco Mélega – Volkswagen Gol 1.6 – 2h36’38”

A dupla Ullmann/Weck estava em sétimo lugar no Brasileiro.

Na Categoria Novato que corriam três especiais a menos, a classificação ao final da primeira etapa ficou assim:

1° Lugar
Manoel Albuquerque/Ricardo Ambrósio – Chevrolet Chevette 1.6 – 1h59’26”

2° Lugar
Reinaldo Varella/Nilo de Paula – Ford Escort 1.6 – 2h00’20”

3° Lugar
Álvaro Varanda/Carlos Varanda – Volkswagen Voyage 1.6 – 2h01’16”

4° Lugar
Paulo Souza/Jacques Demori – Volkswagen Voyage 1.6 – 2h01’21”

5° Lugar
Marcelo Rizzi/Eduardo Lauand – Volkswagen Voyage 1.6 – 2h18’13”

Em breve:

A continuação, com o 2° dia desta prova.

Pesquisa:
Renato Pastro

Edição:
Renato Pastro
Fernando Milano

 

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