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Porto Alegre, 22 de novembro de 2017.
Arquivo Histórico

(25/08/1985) O PRIMEIRO RALLYE SUL AMERICANO NO RIO GRANDE DO SUL (PARTE II)
20/01/2006

CAPÍTULO II

A Competição – 2° Etapa (2° dia)

Clima de muita desconformidade quando da largada da etapa final para as oito PC na região de Gramado.
Foi entregue aos Comissários Desportivos um documento assinado por quatorze pilotos dos dezoito que iriam iniciar a última etapa (obviamente sem a assinatura dos quatro uruguaios) discordando da decisão tomada, “beneficiando claramente um competidor” e informando que iriam recorrer em instância superior.

A expectativa quanto a um insucesso de Etchegoyen/Borrallo, o Ford Escort não resistindo até o final, ou que Paulo Lemos/Arthur Cezar conseguissem descontar a diferença.


Mantero/Muzior do Uruguai – Fiat 128 Super Europa 1500, na largada da segunda etapa, mais um dia com tempos de enlaces curtos e pouco tempo de apoio mecânico.

A primeira especial do dia foi VÁRZEA GRANDE 13 vencida por Jorge Fleck/Silvio Klein – Volkswagen Gol 1.6 - Brasil – tempo de 11’15” e 82,99 Km/h de média.

A primeira baixa do segundo dia de competição foi da dupla gaúcha de Novatos, Paulo Eduardo de Souza/Jacques Demori – Volkswagen Voyage 1.6 N° 43 – Equipe PNS/Automagui que abandonou nesta especial.


O abandono de Paulo Souza/Jacques Demori de Caxias do Su,l deixou os gaúchos sem representantes na Categoria Novato.

A especial LINHA ÁVILA 14 teve início, e parece que o “mau olhado” funcionou, mesmo no roteiro ouvindo-se ruidosas exclamações e aplausos, quando surgiu o primeiro carro que não era dos uruguaios Etchegoyen/Borrallo e sim o da dupla brasileira Paulo Lemos/Arthur Cezar.
O Ford Escort dos uruguaios entrou forte em uma curva em descida com muito cascalho, escorregando para dentro do mato onde bateu em uma pedra maior, com a roda traseira direita, causando problemas no semi-eixo que os deixou impossibilitados de continuarem na prova.


Luiz Etchegoyen Tafernaberry/Luiz Borrallo - Ford Escort 1.6 N° 29 – Uruguai – Equipe ANCAP, abandonou na segunda especial de domingo.

Só que o Volkswagen Gol N° 7 da dupla brasileira também mostrava na dianteira direita danos na lataria, quando Lemos/Cezar tentando descontar a diferença em relação ao líder saíram da estrada próximo a uma curva e desmancharam uma pilha de lenha. Esta saída de estrada foi apenas 300 metros após o local onde os uruguaios bateram e os brasileiros acabaram perderam dois minutos na recolocação do carro na estrada.


O estado da dianteira do Volkswagen Gol de Lemos/Cezar após um “encontro” inesperado com uma amostra da "região madeireira" da serra gaúcha.

Após tanta movimentação entre os líderes, esta especial de LINHA ÁVILA 14 foi vencida novamente por Jorge Fleck/Silvio Klein – Volkswagen Gol 1.6 – Brasil – 11’34” e 77,45 Km/h de média.

Neste momento começaria a luta entre o Ford Escort remanescente de Trelles/Ivetich e o Volkswagen Gol 1.8 de Lemos/Cezar.
A luta contra o cronômetro estava em cada salto, cada pedra, cada curva. Também aumentou o trabalho de gerenciamento de Federico West que em cada apoio mecânico e em todos os controles que podia, mantinha um estudo da situação que permitiu em um momento aconselhar a Gustavo Trelles em relação ao controle de prova.

Na especial VÁRZEA GRANDE 15 a vitória foi de Arno Hess/Horst Richter – Volkswagen Gol 1.6 – Brasil – 11’02” e 84,62 Km/h de média.

“Si podes, dale...” A curiosa frase foi dita por Federico West. O destinatário era Gustavo Trelles. Poucas mas concretas palavras.
Conforme Trelles:
“Nos deu uma enorme tristeza o abandono de “Lucho” (Etchegoyen).
Ele não merecia. A “carrera” era dele. Nós vínhamos com problemas de todo o tipo. Por exemplo, os furos de pneus. Depois também os condutos que levam “nafta” ao carburador e por fim um condensador. O certo é que por uma razão ou outra estávamos entre quarto e quinto lugar com todos os Volkswagens oficiais adiante, aproveitando o momento.
Sem dúvida, este Rallye teve uma coisa curiosa. Dentro de um minuto, haviam praticamente cinco autos. Algo pouco visto. Assim quando West me disse que “Lucho” estava fora, ao mesmo tempo me pediu para sair em um “tudo ou nada”.
Esta “carrera” era fundamental para nossa Equipe. E bem, assim saímos para um “matar o morir” e curiosamente, o auto começou a funcionar sem mais nenhum problema”.


A especial LINHA ÁVILA 16 marcou o início da recuperação de Gustavo Trelles/Ricardo Ivetich que com Ford Escort – Uruguai venceu com 11’00”- 81,44 Km/h de média.

Ocorreu o abandono de Enrique Mantero/Daniel Muzio – Fiat 128 Super Europa 1500 N° 11 - do Uruguai.
Eles acabaram capotando nesta especial. Segundo Mantero:
“Me custou muito levar o carro “direito”. Temos que trabalhar mais, mas acredito que a preparação foi adequada. Todos os “debut” (de carros novos) são mais ou menos assim."
O carro foi preparado em Buenos Aires por Nene Nucilo que estava presente em Gramado, tinha um motor “notável”, mas um alinhamento de suspensão que mudava todo o tempo, tornando o carro instável contribuindo para este “desbarrancaron” sofrido por eles.


Os uruguaios Mantero/Muzior e o Fiat 128 Super Europa 1500, capotaram na PC LINHA ÁVILA 16, mas felizmente só com danos materiais.


As demais especiais até o final da prova foram:

VÁRZEA GRANDE 17
Gustavo Trelles/Ricardo Ivetich – Ford Escort – Uruguai -10’52”– 85,91 Km/h de média.

LINHA ÁVILA 18
Gustavo Trelles/Ricardo Ivetich - Ford Escort – Uruguai – 10’45”-83,33 Km/h de média.

VÁRZEA GRANDE 19
Gustavo Trelles/Ricardo Ivetich – Ford Escort - Uruguai – 10’40”– 87,53 Km/h de média.

LINHA ÁVILA 20
Gustavo Trelles/Ricardo Ivetich - Ford Escort – Uruguai – 10’40”– 83,98 Km/h de média.

Nesta 2° Etapa do Rallye em relação ao Campeonato Brasileiro, Arno Hess/Horst Richter do Rio de Janeiro venceram cinco especiais enquanto os gaúchos Jorge Fleck/Silvio Klein venceram três.

Classificação Final:


1° Lugar (1° Lugar Classe B)
Gustavo Trelles/Ricardo Ivetich – Ford Escort 1.6 N° 17 – Uruguai – Equipe ANCAP – 3h56’11”


2° Lugar (1° Lugar Classe C)
Paulo Francisco Blasi Lemos/Arthur Cezar da Veiga Carvalho – Volkswagen Gol 1.8 N° 7- Brasil - Equipe Volkswagen Mobil – 3h56’38”.


3° Lugar (1° Lugar Campeonato Brasileiro)
Jorge Raimundo Fleck/Silvio Paulo Klein - Volkswagen Gol 1.6 – N° 4 – Brasil – Equipe Vokswagen Mobil – 3h56’56”


4° Lugar
Arno Hess/Horst Richter – Volkswagen Gol 1.6 - N° 6 – Brasil - Equipe Iwega – 3h57’51”


5° Lugar
Antônio Lúcio Da Matta/Gilberto da Fonseca Schury – Volkswagen Gol 1.6 – N° 133 – Brasil - Equipe Volkswagen Mobil – 3h58’03”


6° Lugar
Aparecido Rodrigues/Ricardo Costa – Volkswagen Gol 1.6 – N° 5 – Brasil – Equipe Coimfico/Travefer – 4h04’24”


7° Lugar
Luiz Evandro Campos/Francisco José Mélega –Volkswagen Gol 1.6 – N° 417 – Brasil – Equipe Automóvel Clube Paulista/Bantec/Recaro – 4h13’59”


8° Lugar
Justiniano Vianna/Carlos Mauart – Volkswagen Gol 1.6 – N° 469 – Brasil – Equipe Central Veículos/ Tintas Luxford – 4h42’08”


9° Lugar (1° Lugar Classe A)
Jorge Mancilla/Alfredo Cabrera – Daihatsu Charade 1300 – N° 13 – Uruguai - 4h56’12”


10° Lugar
Gustavo Dechecchi/Daniel Onainty – Subaru Leone 1300 – N° 21 – Argentina – 5h14’37”


11° Lugar
Jorge Luiz Ullmann/Carlos Güido Weck – Volkswagen Gol 1.6 – N° 244 – Brasil – Equipe Ullmann Ar Condicionado – 5h16’30”

Na Classificação Geral da Categoria Novato do Campeonato Brasileiro que neste segundo dia de competição somente correu em quatro especiais tivemos:


1° Lugar
Reinaldo Marques Varella/Nilo Sérgio Chagas de Paula – Ford Escort 1.6 – N° 453 – São Paulo – Equipe Gave – Valée – 2h50’40”


2° Lugar
Manoel Alípio de Albuquerque Junior/Ricardo do Amaral Ambrósio – Chevrolet Chevette 1.6 – N° 555 – Alagoas - Equipe Salgema/Motoral – 2h53’18”


3° Lugar
Álvaro Varanda Neto/Carlos Eduardo Varanda – Volkswagen Voyage 1.6 – N° 912 – Bahia - Equipe Kwikasair – 2h54’49”

4° Lugar
Marcelo Antônio Rizzi/Eduardo Lauand – Volkswagen Voyage 1.6 – N° 472 – São Paulo – Equipe Kwikasair – 3h15’59”

Ao final da prova notou -se que não fosse a saída de estrada de Lemos/Cezar eles poderiam ter vencido, pois a sua diferença para os vencedores no final Trelles/Ivetich foi de 27 segundos! Mais do que esta pequena diferença final, o que deve ser analisado é que os brasileiros realmente foram os mais rápidos em toda a prova, mas com as penalizações ficaram em segundo lugar.
Enquanto a dupla vencedora não teve acréscimo de tempo nenhum por penalizações, Lemos/Cezar em duas etapas foram penalizados por atrasos em quatro minutos, devido a problemas de carburação e pneus furados. Com isto o seu tempo final descontado a penalização seria de 3h52’38” contra 3h56’11” dos uruguaios.


Podemos acompanhar agora o verdadeiro duelo já citado entre Trelles/Ivetich e Lemos/Cezar:

No início da segunda etapa a diferença a favor de Lemos era de 1minuto e 20 segundos.

PC VÁRZEA GRANDE 13:
Trelles tem um pneu furado e Lemos aumentou sua vantagem para 2 minutos e 21 segundos.

PC LINHA ÁVILA 14:
Trelles passa a lutar também com um condensador defeituoso, mas como Lemos saiu da estrada (e desmanchou uma pilha de lenha...), a diferença cai para 20 segundos.

PC VÁRZEA GRANDE 15:
Outro pneu furado para Trelles e Lemos abre para 1 minuto e 3 segundos de vantagem.

PC LINHA ÁVILA 16:
Começa a “arrancada” de Trelles que fica a 25 segundos de Lemos.

PC VÁRZEA GRANDE 17:
A situação fica eletrizante, pois a diferença cai para 8 segundos ainda a favor de Lemos.

PC LINHA ÁVILA 18:
Os uruguaios passam a frente por um “sopro”: 5 segundos.

PC VÁRZEA GRANDE 19:
A diferença aumenta para 9 segundos a favor de Trelles.

PC LINHA ÁVILA 20:
Termina a prova com a diferença de 27 segundos e a vitória de Trelles/Ivetich.

Todo o trabalho de computação de tempos das diversas Provas de Classificação, esteve a cargo de Henrique e Ângela Brodbeck, da Brodbeck Sistemas. Tanto a primeira, como a segunda etapa, não apresentaram nenhum problema e os resultados foram, de imediato, divulgados e homologados.

Prova calculada fizeram Fleck/Klein, evitando andar além do limite, a intenção de sua equipe Volkswagen – Mobil era que assumissem a liderança do Campeonato Brasileiro. E isso foi conseguido, classificando-se a dupla gaúcha em terceiro no Sul Americano e primeiro no Brasileiro. Mesmo com todo o planejamento de ficar em primeiro no Brasileiro, terminaram a somente 45 segundos do uruguaio vencedor da geral e do Sul Americano.

Com um Volkswagen Gol que chegou de São Paulo às vésperas da prova, sem maior preparo, Jorge Ullmann/Carlos Güido Weck cumpriram sem maiores problemas a primeira etapa da prova. Mas na segunda etapa, porém, tiveram quebrado um parafuso que prende a caixa de câmbio, por ali vazando o óleo e deixando-os apenas com a segunda marcha, mesmo assim cumprindo as últimas seis especiais.

Disputa muito parelha mantinham Da Matta/Schury, apenas na última PC, Hess/Richter conseguindo descontar a diferença de 45 segundos que tinham ao final da primeira etapa. Além de descontar esta diferença obtiveram ainda 12 segundos de vantagem. E Antônio Da Matta, a cada etapa mostrou adaptação à pilotagem em estradas de terra, bem diferente ao asfalto dos autódromos, onde tantas vitórias conseguiu.

A chegada, na rampa armada na praça central de Gramado, poucos minutos após, demonstrando a perfeita organização do C.P.R, era fornecido o resultado oficial, muita vibração especialmente de Trelles/Ivetich pela vitória, escassa diferença de 27 segundos, depois de vários problemas e dois pneus furados.Para a imprensa uruguaia a dupla conquistou no Campeonato Sul Americano uma das vitórias de maior significado na história do automobilismo nacional uruguaio.


Gustavo Trelles/Ricardo Ivetich vencedores do RALLYE DO BRASIL MOBIL-FIRESTONE.

Em entrevista após a vitória Gustavo Trelles declarou:
“Eu aqui devo parar para falar de Ricardo Ivetich. Sinceramente, nós saímos das nossas notas de levantamento, utilizamos as margens que sempre deixamos em suspenso por serem necessárias, porém, sabemos que muitas vezes significam uma piña (porrada...)”.
“Várias vezes eu o desobedeci, porém Ivetich foi fundamental porque ao contrário, me alentava permanentemente a seguir com isso. Honestamente, foi uma “carrera muy especial” para mim. Não recordo outra como esta e insisto Ivetich foi fundamental. Te juro que é notável correr com alguém ao seu lado dizendo sempre “vamos a ganhar” a cada desobediência das notas de levantamento. A verdade que foi muito trabalhada e bem ao final, triunfar assim foi realmente sensacional e por “supuesto”, nós compartilhamos com toda a equipe.”
Sempre “peleamos” uma carrera até o final, porém quando na primeira etapa tivemos um entupimento nos cano de alimentação de combustível, pensei se terminara.
Nesta segunda etapa após um salto que entramos “mais fuerte” o auto ao cair “golpeó” contra um pequeno monte de terra que colocam para receber “tarros de leche”. Por sorte o auto se acomodou e seguimos sem dar importância. Amassou o “guardabarro” traseiro, nada mais”.


O Ford Escort 1.6 da Equipe ANCAP, chefiada por Federico West a caminho da vitória.

O comentário de Paulo Lemos:
“Esta segunda colocação nos proporcionou a liderança do Sul Americano, já que o De Vitta não completou a prova. A nossa idéia inicial era não chegar mais do que 30 segundos atrás do primeiro colocado."
(N.R – os Escort eram meio segundo mais rápido por quilômetro que o Gol 1.8 de Lemos e um segundo por quilômetro que o Gol 1.6 de Fleck).
"Finalizamos 27 segundos atrás do Trelles. Tudo saiu bem, menos aquela batida em um pilha de lenha que nos atrasou um pouco. Penso até que poderíamos ter vencido a prova. Mesmo assim, saímos felizes aqui do Rio Grande do Sul. Achei as duas etapas com trechos normais, sem maiores problemas.”

Jorge Fleck e Silvio Klein foram muito festejados pelo público após o final da competição. Fleck só lamentava três pneus furados:
“Tivemos até que correr vinte quilômetros com um pneu furado. Este fato desalinhou um pouco a suspensão traseira. Os trechos eram difíceis, no meu ponto de ver, mas deu para manter a nossa posição, na prova e a liderança do Brasileiro, agora com 57 pontos.”

O uruguaio Jorge Mancilla vencedor da Classe A do Sul Americano comenta:
“Fizemos um plano de “carrera” sabendo que estávamos sozinhos, porém, também, sabendo que conhecemos muito bem este auto e podíamos “dar tudo.” Liderar a categoria e ter lugar na classificação geral é um prêmio que nos obriga a seguir melhorando. Sim, a prova foi muito dura. Terminei sem um só amortecedor funcionando”.


Alfredo Cabrera e Jorge Mancilla comemoram logo após a chegada em Gramado.

É interessante observar as anotações do jornalista uruguaio Diego Lamas da Motor News do jornal El Pais a respeito das duplas participantes da prova:

“A mobilidade com que contamos, através de uma série de distintas atenções do CLUBE PORTO ALEGRE DE RALLYE - C.P.R, organizador que facilitou nosso trabalho, nos permitiu ver a “carrera” dentro de várias especiais, nos obrigando, mais que autorizando a qualificar algumas duplas competidoras.
Comecemos pelos brasileiros:
Lemos & Cezar: uma grande experiência e um enorme senso profissional. O combate final contra tudo e contra todos não os impediu de saber que os pontos para o CODASUR eram seu objetivo. E eles cumpriram.

Fleck & Klein: Uma condução muito européia, em uma dupla que conhece seu terreno, seu auto e uma posição de líder do Campeonato Brasileiro que não é casualidade. Fleck em roteiro montanhoso é excelente e que deveria sair com toda a sua Equipe para competir na Argentina e Uruguai. Tem muito valor.

Da Matta & Schury: aqui um caso típico de mudança de prática, e de ambiente. Um muito bom piloto de pista que decidiu, felizmente, mudar de ares. Aplicado, adaptando-se em pouco tempo as condições das estradas, “Toninho” chegará rapidamente ao nível da Equipe onde todos tem um nível muito parelho.


Antônio Da Matta vem em rápida evolução auxiliado por Gilberto Schury.

Antunes & Barbour: dos membros da equipe oficial da Volkswagen, é o mais técnico, contribuindo com informações que permitem o desenvolvimento do modelo Gol.
Não podemos julgar seu “manejo” por haver queimado a junta do cabeçote na primeira etapa.

Hess & Richter: Oriundos da zona serrana do Rio de Janeiro, Nova Friburgo, são tão velozes quanto os rápidos pilotos da equipe oficial da Volkswagen.
E tem também um auto muito bem preparado. Outra dupla para exportar.


A dupla carioca foi a mais rápida em oito especiais pelo Campeonato Brasileiro e chegaram a vencer uma pelo Sul Americano.

Luiz Evandro Campos (“Águia”) & Francisco (“Pepe”) Mélega: É o que chamamos, sem segundas intenções, de uma dupla chegadora. Tomam as “carreras” de um longo “fôlego”,com cautela para a chegada.


Luiz Evandro “Águia” (voando baixo...) e Francisco Mélega.

Aparecido Rodrigues & Ricardo Costa: Se você busca uma boa foto, ali está Aparecido. Que se gasta muito em derrapagens que são rápidas de se ver e lentas em tempo. É muito bom , mas irregular na seqüência da prova.

Varella & Nilo de Paula: São novatos e com um solitário Escort, o melhor desta categoria que tem por sinal valores a serem observados em próximas provas. O dia em que o Brasil começar a apresentar a nova geração de pilotos de Rallye, cuidado!

Agora as nossas duplas:

Etchegoyen & Borrallo: Foi uma das grandes provas de “Lucho”. Ele se completa de forma excepcional com Gustavo Trelles. O ritmo desconcertante nos tempos da primeira etapa foi um trabalho de alta categoria. A causa do abandono em um auto de grande preparação e larga vida, foi totalmente fortuita, e se quiserem, injusta.

Mantero & Muzio: a estréia de um auto não demasiadamente conhecido em Rallye sempre é uma caixa de surpresas. Uma grande preparação, com sentido artesanal, não impediu que o Fiat Super Europa resulta-se em difícil condução. Indócil por alterações no alinhamento da suspensão, em uma “carrera” que exigia sobre tudo fácil comportamento e condução, algo que o auto careceu.
A causa do abandono foi uma infeliz saída de estrada. E estes fatores negativos de condução devem ter contribuído. Mantero tem condições e deverá por a prova.

De Vitta & Moyano: Uma série de contratempos anteriores à largada, inclusive em Montevideo, não devem ter permitido que o preparador De Vitta entrega-se ao De Vitta piloto o mesmo auto de sempre. Uma série de problemas surgiu após a quebra do estabilizador gerando danos no seu trem dianteiro.
Deverá lutar na próxima prova pelos pontos perdidos nesta oportunidade.

E para o final os melhores:

Mancilla & Cabrera: Seu Daihatsu Charade, com excelente preparação mecânica, tem conquistado nesta parte da América, numerosos prêmios e este foi mais um. Um auto perfeito para esta prova brasileira, manejado com a capacidade de um homem que a única coisa que não se pode perdoar é um problema de “peso”. Porem fora à brincadeira, lidera o CODASUR em sua categoria o que é quase uma constante.


Mancilla/Cabrera com seu “interminável” Daihatsu Charade, uma desfavorável relação peso/potência impõe uma pilotagem impecável.

Trelles & Ivetich: Mostram uma parceria perfeita. Outra vez porem com trabalho triplo, ambos chegaram a um final de prova com uma performance que nos encheu de emoção e assombro. Toda a criatividade e luta nos movem ao aplauso em uma prova onde tudo não foram rosas. Cada curva em que se endireitavam, cada provável saída de uma estrada escorregadia era feita com manobras que nos livros não estão. Um triunfo muito importante em uma carreira desportiva cujo ponto mais elevado não esta longe.


O show da tração traseira....

Novas classificações dos Campeonatos após a realização do RALLYE DO BRASIL MOBIL - FIRESTONE:

Sul Americano Geral:
1°- Lemos/Cezar – Brasil - 30 pontos
2°- Trelles/Ivetich – Uruguai - 24 pontos
3°- De Vitta/Moyano – Uruguai -20 pontos

Sul Americano Classe C (de 1601 cm³ até 2000cm³):
1° - Lemos/Cezar – Brasil - 40 pontos
2° - Celsi/Olave – Chile - 15 pontos
3° - Francia/Jawerbaum – Argentina – 12 pontos

Sul Americano Classe B (de 1301 cm³ até 1600cm³):
1°- Trelles/Ivetich – Uruguai - 24 pontos
2°- De Vitta/Moyano – Uruguai - 20 pontos
3°- Pita/Franggi – Uruguai e Fleck/Klein – Brasil - 15 pontos

Sul Americano Classe A (até 1300 cm³):
1°- Mancilla/Cabrera – Uruguai -32 pontos
2°- Oribe/Dechecchi – Argentina -20 pontos

A etapa seguinte foi realizada na Argentina em Dezembro 1985 o Rally “Gran Premio”

Campeonato Brasileiro:
1° - Fleck/Klein – Rio Grande do Sul – 57 pontos
2° - Hess/Richter – Rio de Janeiro -50 pontos
3° - Lemos/ Cezar – Paraná - 40 pontos
4° - Antunes/Barbour – Rio de Janeiro/São Paulo - 32 pontos
5° - Da Matta/Schury – Minas Gerais/Rio Grande do Sul – 25 pontos

A etapa seguinte foi realizada no Rio de Janeiro em Outubro daquele ano.

O encerramento do RALLYE DO BRASIL MOBIL-FIRESTONE foi no Hotel Serrano, em um almoço, onde os organizadores do CLUBE PORTO ALEGRE DE RALLYE – C.P.R e patrocinadores confraternizaram com dirigentes e participantes
Vários oradores ressaltando a perfeita organização do C.P.R, a beleza da região serrana gaúcha e a promessa de aqui estarem em outra oportunidade.


Gustavo Trelles e Ricardo Ivetich receberam os troféus de vencedores dos representantes da Mobil Oil e Firestone.


Arthur Cezar e Paulo Lemos lideram o Sul Americano na Geral e na Classe C.


e Jorge Fleck, terceiro na geral e primeiro no Brasileiro, também lideram o certame nacional.


Da Matta e Schury perderam o quarto lugar na última PC.

Várias observações positivas foram feitas por todos os envolvidos na prova:

O Secretário de Turismo da Prefeitura Municipal de Gramado, Luciano Peccin ressaltou o êxito e o brilhantismo em que transcorreu o Rallye e salientou a excelente organização relativa ao Evento, aproveitando para colocar Gramado a disposição para o ano de 1986, sugerindo que se permaneça a data em Agosto para caracterizar o “mês do Rallye”.

Revista Corsa:
“Muito fomos prevenidos pelas provas antecedentes no Brasil. Sem dúvida é digno de reconhecer que este ano as coisas estiveram 100 por cento”.

Motor News - El Pais:
“O sistema de controle das especiais, método e fator humano funcionou muito bem, melhor ainda em momentos de “crise”. Melhorar, “polir” porem não devem mudar em demasia para o ano que vem”.
“O serviço de segurança não deve ser trocado. E se possível utilizar os mesmos Oficiais superiores em 1986. Este fato foi 100 por cento positivo e é muito difícil de se realizar”.


Jornalista Diego Lamas:
“Em um resumo posterior, descontado o natural entusiasmo que pode provocar uma competição deste calibre, nos permite afirmar que o Brasil começou a percorrer um caminho cheio de dificuldades, até o reconhecimento internacional que lhe permita obter um retorno ao nível de toda América do Sul de que tanto necessita o nosso Rallye. Digamos que a organização em relação à “diagramação” da prova, segurança e critério desportivo (a Direção de Prova encarou a mesma com espírito internacional) deve merecer uma alta pontuação. O trabalho em comum compartilhado pelos dirigentes e desportistas que, ao dia de hoje sabem melhor que nós o justo equilíbrio entre acertos e erros. A todos ficou como uma marca o amplo sentido de responsabilidade, e o caminho traçado para futuros compromissos. O ritmo a imprimir será de maior ou menor medida, para uma meta final que os brasileiros conhecem melhor que nós.

Minhas colocações e agradecimentos finais:

Ao CLUBE PORTO ALEGRE DE RALLYE, sem dar nomes e evitando a segura injustiça que causaria um esquecimento, renovar aqui a relação iniciada. Cada um de seus integrantes fez com que um trabalho às vezes árduo fosse sempre prazeroso. Seu trato com a imprensa internacional foi tão bom quanto a direção que imprimiu ao Rallye.

A Heron De Lorenzi, que foi voluntariamente nosso cicerone e amigo a cada quilômetro percorrido, a bordo de um Fiat Uno que a tudo suportou, a autoridade máxima da Confederação Brasileira de Automobilismo em matéria de Rallye e Comissário Desportivo nacional, nos cedeu seu veículo e seu tempo de tal maneira que podemos dizer, sem dúvida, que estávamos no centro da “carrera”.

Ao município de Gramado, todas as suas autoridades e em especial a Secretaria de Turismo que atendeu a cada concorrente a qualquer titulo, com a cordialidade do Sul que nos é tão afim.

Ao Hotel Serrano, ali estivemos e voltar não será esforço nenhum. Tem muito mais estrelas do que marca a sua placa de entrada e um pessoal pleno de enorme paciência e cordialidade. Um lugar excepcional não somente para ser o “centro nervoso” de um Rallye de nível internacional. Todos os serviços nos permitiram fazer um trabalho, ali também, com muito prazer.

A Rui Pires, Gerente Regional da Mobil Oil do Brasil, foi algo mais que um dos principais patrocinadores. Uma feliz combinação de amabilidade gaúcha com diplomacia lusitana em um homem que em nome de sua empresa também correu o seu Rallye.”


Vitória em terras brasileiras ganhou importância no Uruguai - Jornal El Pais – 28 de Agosto de 1985.


Destaque da prova também nos jornais do Brasil.

Pesquisa:
Renato Pastro

Edição:
Fernando Milano e Renato Pastro

Fonte:
Arquivo histórico do CPR

Fotos cedidas por:
Pedro Moraes Erling e
Gustavo Viana Schlater

 

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